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A chuva de Santo Antônio

Pelos meados da década de 1950, houve uma medonha seca pelas regiões profundas de Minas Gerais, narrava o Agenor. Contava-se para mais de 6 meses sem sequer uma chuva molha-bobo. O vento levantava a poeira fazendo caracóis que tocavam os céus. As margens do velho rio Piranga trincavam à medida que suas águas regrediam. AoContinuar lendo “A chuva de Santo Antônio”

Se não houver caridade, nada seremos

Agenor, embora fosse homem de pouca formação escolar, era muito conhecido e sempre queriam-no ouvi-lo por onde passava. E tal qual seu ídolo maior, ninguém menos que Jesus Cristo, sempre falava em parábolas. Muitas vezes instauravam-se as dúvidas se suas histórias eram reflexos de suas vivências, de pessoas que conheceu ou se criação da mente,Continuar lendo “Se não houver caridade, nada seremos”

O ceifador

Lá pelos idos do século XX, pelos profundos rincões das Minas Gerais, de pomposos proprietários, muitas nababescas fazendas existiam. Ainda pouco divididas com herdeiros, tais propriedades tinham dimensões, muitas vezes, desconhecidas pelos próprios donos. Havia também, dadas as proporções, muitos peões, carreiros, boiadeiros e demais nomenclaturas do gênero. Tudo em generosos números. Era comum emContinuar lendo “O ceifador”

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O dia do bem

Fui vacinado com a vacina contra a COVID, já há um tempo torcendo que a imunização avançasse idades abaixo, feliz, eu recebia a comunicação via whatsapp através do meu irmão. O agendamento estava disponível para as pessoas a partir de 40 anos. Não hesitei, dentro do carro estacionado na rua, iniciei imediatamente o agendamento do processo.

Por uns segundos a mente questionava se, de fato eu deveria estar fazendo tal, afinal há pouco tempo eu via a corrida para imunização dos primeiros grupos prioritários, na mente ficou gravada a informação que deveriam ser vacinados os idosos. E agora era a minha vez? Eu tenho mesmo idade para isso? Uma leve conferida na informação: “pessoas a partir de 40”, sem comorbidades podem ser vacinadas. Outra conferência, eu tenho mesmo 40 anos?

De fato, tudo confere, eu me encaixava. Certo de não estar infringindo nenhuma norma ou passando a vez de algum outro, finalizei o processo, a confirmação ao final foi clara, data, local e documentos a serem apresentados. Print da tela para garantir, vai que uma falha ocorre no sistema deles? Não vou atrasar esse cronograma. Com a data em mente, 10 de julho, chego em casa anunciando para a esposa o fato:

_ Dentro de um mês já poderei ser vacinado, para quem esperava que fosse feita em três meses, está ótimo. Em uma fração de segundos ela questiona:

_ Dentro de um mês? Essa data é no sábado.

_ Na verdade, é dia 10, meu bem, mas é de JULHO (frisando a diferença no final do nome do mês).

Certamente você já percebeu que minha mente ainda estava no mês de junho. Ao que ela prontamente lembrou-me que já estávamos no mês de julho e que a data era sábado próximo. Acho que nunca fiquei feliz por tomar uma vacina assim.

Pois bem, dados tratos à memória, certifiquei-me dos documentos, e solicitei ser acordado bem cedo naquele dia, visto que avançaria noite adentro trabalhando.

Acordado e bem disposto, uma hora antes estacionava o carro próximo ao PSF São Sebastião, que tinha outro nome, mas assim estava escrito no agendamento. Antes do posto abrir em torno de 30 pessoas na fila. Durante período que ali esperei, o que foi rápido, percebia o clima harmônico entre as pessoas ali na espera. Diferentemente do momento polarizado e discussões vagas, sem sentido e retrógradas, o clima era belo de ser ver, clima de comunhão, sorrisos, brincadeiras. Pessoas que estavam ali com esperanças renovadas de retomarem suas vidas, seus projetos. Em nada parecia ser uma fila para imunização contra um vírus que veio de longe, de alguma forma um erro alheio aos brasileiros, e aqui as pessoas pagavam a conta por tal. O objetivo em comum parecia fazer sentido visível na vida das pessoas naquele momento.

PSF aberto, às 8h20 eu já entregava à conferência os documentos. Tal qual as pessoas nas filas, os profissionais de saúde, também pareciam comungar sua felicidade entre si e com aqueles que ali chegavam. Fui recebido por um servidor sorridente, de óculos circulares, que assim como os demais servidores, recebia e conferia, com felicidade os documentos apresentados. Não perdeu a chance de me dar uma bronca: “Que cartão mais vazio é esse, meu amigo? ”. Orientou-me, ainda em tom lúdico, a voltar dentro de 15 dias para tomar outras vacinas tão importantes quanto a que eu buscava.

A partir dali os demais servidores fizeram jus ao termo servir. Diversamente daquilo que temos em mente acerca do serviço público, não pareciam estar ali por uma mera formalidade ou obrigação do ofício.

Pude ver mais, era como se professassem uma verdadeira fé no ali faziam acontecer.  Para eles parecia estar valendo mais a lei da abundância, quanto mais se compartilha, mais se busca para outrem o que se busca para si mesmo, mais se veem multiplicas as benesses.

A picadinha, anunciada cuidadosamente pela enfermeira, fez-me, utopicamente,  pensar que mesmo diante do que se possa ser questionado em nossos tempos, o mundo pode ter cura.

@profreinaldosantos